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Rede Social do Desenho de Humor
Entrevista com Orlando Pedroso
Entrevista com Orlando Pedroso

 

Orlando Pedroso é paulistano, nasceu em 14 de fevereiro de 1959. Em 1978, publicou seus desenhos pela primeira vez, já na época da abertura política, no jornal Em Tempo. Morou na Europa por três anos e meio. De volta, em 1985, passou a colaborar com o jornal Folha de S.Paulo e com as melhores e piores publicações da cidade. Em 1997 expôs no Espaço Unibanco de Cinema de São Paulo e do Rio os desenhos de Como o Diabo Gosta. Em 2001, no Espaço Ophicina, em São Paulo, expôs Olha o Passarinho! Em 2002, organizou o livro Dez na ÁreaUm na Banheira e Ninguém no Gol, Prêmio HQMix de melhor ilustrador de 2001. É pai de duas meninas, leitoras vorazes. Quando eram pequenas, ficava pensando em quando conseguiria desenhar tão bem quanto elas.                                                                     

ENTREVISTA

Brazil Cartoon: Por que fundar uma SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil e como foi a iniciativa?Orlando: Quando fui convidado a participar da SIB, ela já havia dado os primeiros passos. Já havia uma rotina de reuniões e de conversas. Com o esvaziamento das editorias de arte nos jornais e revistas e com o desmonte dos departamentos de arte das agências, os ilustradores perderam suas referências que são exatamente seus pares. As listas na internet foram as precursoras desse retorno à troca de idéias. Por outro lado, havia as tentativas frustradas de entidades como o Clube de Criação e a ABRAG que acabaram desmontadas pela falta de quem as tocasse lá pelos anos 70. Aí talvez resida a grande dificuldade de qualquer organização que reúna artistas do traço. Ninguém gosta de lidar com as “burocras” que, inevitavelmente aparecem quando você está à frente de uma entidade. Fora isso, é um piano ladeira acima.

 

Brazil Cartoon: Como se encontra a situação da ilustração no Brasil? Ela é bem aceita fora do país?

Orlando: Depois de anos estagnada, parece haver uma retomada do ofício. Do final dos anos 80 até pouco tempo, toda a linda história da ilustração nas artes gráficas no Brasil parecia escorrer pelo ralo. Não só o trabalho deixou de ser economicamente vantajoso como às novas gerações deixaram de se interessar por ela. Isso teve uma conseqüência desastrosa principalmente na nova geração de diretores de arte que deixaram de enxergar na ilustração uma solução lúdica ou opinativa para suas páginas optando, muitas vezes, por fotos frias e vazias. Os últimos 5/8 anos trouxeram um alento com ilustradores realmente interessados em criar ou revigorar uma ilustração que já estava a caminho do limbo. Ainda falta muito, com certeza e a conquista de espaço e respeito no exterior serão resultados desse trabalho.

 

Brazil Cartoon: Com tantos recursos gráficos que tem nos favorecido, como por exemplo, o Photoshop, em sua opinião o talento, o traço, a tecnologia e a ecoline correm o risco de saírem de moda?

Orlando: Moda, em artes gráficas é uma palavra que praticamente só se usa no Brasil. Steinberg teria morrido de fome aqui. Se você gosta de fotografar, não encontra mais filmes, químicos ou papel fotográfico. Isso é um absurdo. No entanto, depois de tanto photoshop, degradês com cores primárias e soluções plug-ins, há grupos bastante interessados em retomar a essência do desenho. Riscar, sujar as mãos, experimentar, nunca vai sair de moda.

 

Brazil Cartoon: Atualmente, nos deparamos com diversas situações de plágio e similaridades nos salões de humor. Como você define a ética no desenho de humor, em especial, na ilustração?  

 

Orlando: Tenho sido convidado para ser jurado nos principais salões do Brasil e esse é um assunto que me preocupa muito. Plágio sempre existiu e é muito diferente de similar. A internet é um instrumento valiosíssimo, mas cobra um preço alto. Veja só: eu recebo todos os dias uma quantidade de e-mails pedindo para que eu olhe este ou aquele site, blog, flog e o escambau. Todos recebemos indicações de amigos e colegas com aquele “dá uma espiada”. Essa espiada, na maior parte das vezes, não nos deixa fixar, analisar e reter como de outro aquela idéia. Passamos a ter, então, a similaridade involuntária pipocando por aí. Aquela imagem fica armazenada em algum lugar de seu sub-consciente e, num belo dia, surge como uma idéia nova. Depois, acho também que existe um certo nivelamento por baixo nas idéias produzidas. Isso é reflexo do pouco caso com a cultura no Brasil. Sem desmerecer ninguém, basta entrar num chargeonline para achar algumas idéias muito parecidas todos os dias. Na ilustração, a “chupada” está mais em relação ao traço do que propriamente às idéias que, em geral, estão atreladas a um texto. Acontece de alguém fazer algo muito perecido com outro? Sim, claro, mas faz parte da coisa.

 

Brazil Cartoon: É muito interessante o espaço que vocês destacam em seu site sobre orientação profissional. Falando sobre isso, com tanto CTRL C e CTRL V, como fica a questão dos direitos autorais?

Orlando: A máxima chacriniana de que nada se cria, tudo se transforma é completamente atual. A SIB disponibiliza em seu site contratos e orientações que servem para nortear o profissional numa determinada negociação. Querer que o Brasil inteiro seja regido por uma tabela de preços justa pode ser uma utopia mas, aos poucos, temos conseguido grandes conquistas. O que você cria é seu e é a partir daí que os critérios de uso devem ser norteados. Pirataria, uso indevido, uso sem autorização, quebra de contrato, não pagamento, entre outros, são tópicos sujeitos a uma lei que nos protege. Artistas deveriam deixar de ser bundões e passarem a se valorizar produzindo um trabalho cada vez melhor e se informando sobre seus direitos. A partir daí, exigir.

Entrevista concedida ao Brazil Cartoon em 2008
Saiba mais sobre a SIBI
Foto: Extraida do filme Gordinhas 

Cinara Dreide
Jornalista

 

Publicado em 11 dez. 2018

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