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Glauco Villas Boas
Glauco Villas Boas



 

Glauco Villas Boas nasceu em Jandaia do Sul, interior do Paraná. Pertencia à família dos sertanistas Orlando, Claudio e Leonardo Vilas Boas. No começo dos anos 70, o encontro com o jornalista José Hamilton Ribeiro, que dirigia o "Diário da Manhã", em Ribeirão Preto, tirou o paranaense Glauco da fila do vestibular para Engenharia e o jogou direto para as páginas do jornal, já com uma tira: "Rei Magro e Dragolino". 

 


Glauco ganhou projeção nacional e internacional em 1977, quando ele expôs os trabalhos dele e ganhou prêmio no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. No ano seguinte, começou a publicar seus trabalhos no jornal Folha de São Paulo de maneira esporádica.

 

 

A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras regularmente no jornal. Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre outros.

 

 

Em 2006, ele lançou o livro “Política Zero” que reúne 64 charges políticas sobre o Governo Lula publicadas na página 2 do jornal Folha de São Paulo e redator dos programas: TV Colosso e TV Pirata, ambos exibidos pela TV Globo.

 

 

Los Tres Amigos -  Os personagens são, na verdade, caricaturas dos próprios autores. Los Três Amigos são: Angel VillaLaerton e Glauquito que estampavam as páginas das revistras em quadrinhos.

 

 

Em 1994, foi introduzido um quarto amigo, baseado no também cartunista Adão Iturrusgarai. Glauco, juntamento com seus amigos cartunistas os ''Los Tres Amigos'' lançaram edições da revista Chiclete com Banana pela Circo Editorial - editora de quadrinhos que durou de 1985 a 1995.




A editora Circo publicou também a as edições da revista Geraldão

 

 

O traço de Glauco é limpo e traduz com simplicidade a natureza complexa de seus personagens. Como Geraldão, o solteirão que morava com a mãe. Glauco era um Henfil ainda mais nervoso, veloz, certeiro. Como disse Angeli e Laerte, Glauco trouxe frescor ao humor gráfico, que andava meio sisudo na década de 80, onde nove entre dez cartunistas desenhavam generais. 

 

 

“Um cara muito simples e muito engraçado, muito divertido, muito gozador”, resumiu o cartunista
Paulo Caruso.

 



“Ele era capaz de num quadrinho sintetizar uma situação e bater na cabeça, tinha contundência de fazer a crítica”, afirmou o jornalista José Hamilton Ribeiro.

 

Nesses anos, as histórias se transformaram, sintonizadas com mudanças de comportamento, modas e manias, mas Glauco continuava fiel ao seu traço único e desenha com nanquim no papel. Usa o computador só para colorir as tiras, depois de escanear seus desenhos. ''Para meu tipo de desenho, só mesmo com a pena, que dá um traço peculiar" Glauco.


O cartunista é autor de uma família de tipos como Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge e Geraldinho. 
Para a estação UOL Humor, Glauco criou em maio de 2000 os personagens Ficadinha - publicada aos sábados - e Netão - publicado às terças e quintas. 

Personagens: 

Netão foi criado em maio de 2000 especialmente para o UOL. Este é o primeiro quadrinho criado por Glauco para a Internet. O nome do personagem tem origem na palavra Net. Segundo Glauco, Netão é o "Geraldão virtual". Com trinta e pouco anos e "internado" no apartamento em que vive com a mulher, Netão viaja pelo mundo através de seu velho computador, que funciona a manivela. O personagem tem compulsão por salas de bate-papo e, sem jamais tirar seu pijama, fica horas a fio em traições virtuais que balançam seu casamento.

 

Geraldão - O principal personagem do Glauco é um consumidor inveterado de uns 30 anos, solteiro que mora com a mãe - com quem tem uma relação neurótica- e continua virgem até hoje. Geraldão bebe, fuma muito, vive atacando a geladeira e toma todos os remédios que vê pela frente. No começo, ele usava uma calça sem elástico. Hoje, passa o dia todo peladão. Geraldão foi criado para o livro independente "Minorias do Glauco", lançado em 1981. Até hoje esta tirinha é publicada na Folha de S.Paulo.

 

Dona Marta - Ela foi educada à maneira antiga e, tanto esperou seu homem, que acabou ficando para titia. Quando viu que não arrumaria namorado, passou para o ataque. Aliás, Dona Marta canta qualquer um. Pode ser o chefe, o boy do escritório, o entregador de pizza ou o salva-vidas. Mesmo não tendo o corpo em forma, ela se acha a mais gostosa do planeta. Dona Marta foi criada em 1981 junto com o Geraldão para o livro independente "Minorias do Glauco". A personagem é baseada em uma amiga do Glauco que, até hoje, não sabe que virou desenho

 

O Casal Neuras - Criado em 1984, é formado por uma mulher que não é mais submissa e por um homem com pose de liberal, mas que morre de ciúmes dela. O Neurinha é um cara que fez a revolução sexual e hoje se depara com a postura liberal das mulheres. Já a Neurinha desafia a repressão machista e faz o que dá na telha. Esses personagens foram baseados no primeiro casamento do Glauco e na vergonha de manifestar o ciúmes. Esta foi a forma encontrada pelo cartunista para exorcizar o fantasma do machismo.

 

Zé do Apocalipse - Zé é o "profeta brasileiro", aquele que acredita que o Brasil é o berço de uma nova raça, a terra do novo milênio. Zé do Apocalipse acredita ser o porta-voz da nova era e prega suas idéias em qualquer praça pública. Este personagem foi inspirado em um amigo do Glauco que vivia em uma comunidade alternativa e seguia várias linhas espirituais

 

Este personagem é uma homenagem ao cineasta brasileiro Glauber Rocha e ao cinema novo. Mas Edmar Bregmam nunca terminou um filme. Seu único contato com o cinema foi ter feito os efeitos especiais de "Terra em Transe". E isso nada mais era do que buscar fumo pra moçada do set de filmagem. Seu lema é: uma câmera na cabeça e uma idéia na mão.

 

Doy Jorge é um verdadeiro junkie, um roqueiro malsucedido que se deixou levar pelas drogas pesadas. Para Glauco, este quadrinho é um registro da noite paulistana, inspirado em pessoas conhecidas e amigos. E, acima de tudo, é uma crítica ao consumo de cocaína, suas nóias e ressacas. Doy Jorge foi criado nos anos 80 para as revistas do "Geraldão" e só depois, por ser muito pesado, é que foi parar nas páginas de quadrinho da Folha de S.Paulo

 

 

Zé Malária - É um típico paulistano que nunca foi à floresta. É um antropólogo que estudou a mata, mas nunca foi a campo e, por isso, morre de medo de cobras, aranhas e de todos os bichos. Ele faz de tudo para não pegar malária. Seu instrumento de trabalho é um inseticida que devasta a floresta. Zé Malária é uma crítica às grandes metrópoles e mostra como crescemos desconectados da Natureza.

 

 

Geraldinho - É o Geraldão quando era criança. Só que, em vez de bebida, cigarro e remédios, ele é viciado em refrigerante, televisão e sorvete... muito sorevete... de todos os sabores... de todas as formas... Ele é muito sacana e, ao lado do cachorro Cachorrão e do gato Tufinho, seus inseparáveis amigos, dá muito trabalho para sua mãe. Além disso, o Tufinho anda com uma turma barra pesada. São os Folgatos, que adoram atacar a geladeira da casa do Geraldinho. Na escola, o menino é impossível e só senta na turma do fundão. Geraldinho foi criado especialmente para a "Folhinha", o suplemento infantil da Folha de S.Paulo.

 

Ficadinha - É uma típica adolescente dos dias de hoje. Esta tirinha foi criada em maio de 2000 para fazer parte do canal Sexo Explícito, de UOL Teen Sexo. A personagem tem uns 17 anos e foi inspirada nas "ficadas", esses relacionamentos casuais e sem compromisso tão comuns atualmente. Ficadinha mora com os pais, que se acham liberais, e anda com os Dongos. Entre seus "ficantes" estão Bode Pit, Xulé, Ranho e Escova.

 


Ozetês - Eles vieram do espaço, ninguém descobriu ainda de qual planeta, se comunicam por telepatia, adoram meditar e materializar coisas com a força do pensamento, usam cogumelos de urano para meditar e viajar pelo espaço, vários artistas famosos já meditaram com os ozetês, jimi hendrix é um que não sai do pé deles, meditam durante a semana e na sexta caem na gandaia abduzindo as gatas da noite paulistana, nas férias eles invadem as nossas praias tomando e queimando todas com a sua prancha-voadora, depois deles zoarem bem o nosso pedaço eles gostam de ir azarar as mulheres de saturno, mas sempre retornam ao brasil, no verão de preferência.

 


Faquinha - Ele é um menor abandonado que nunca conheceu pai nem mãe. Criado pelo facão, perigoso traficante do jardim perifa, virou avião do tráfico e vive sendo perseguido tanto pela polícia quanto por grupos de extermínio, eles adoram dar uma matadinha no faquinha que insiste em não morrer, faquinha formou sua gang, o comando bananinha, e invadiu um morrinho abandonado no jardim perifa, passou a traficar bosta de vaca pros mauricinhos que vão até a favela comprar fumo, a bosta de vaca fez sucesso e a cabeça da galera, tornando nosso mini-meliante famoso.

 


Nojinsk - Ele vive no deserto pra lá de bagdá, com seu tapete mágico e sua gang sempre fugindo dos americanos e de grupos extremistas que vivem confundindo nosso nojinsk com perigosos terroristas. Mas, nosso herói não passa de um pequeno trambiqueiro comerciante de camelos, odaliscas, haxixe e tapetes-voadores. Nojisnk também ostenta a maior barba do deserto do saara.

 

 

Morte
O cartunista Glauco Villas Boas, foi assassinado em  2010, aos 53 anos,  junto com seu filho, Raoni Villas Boas, de 25 anos, em sua própria casa, em Osasco, na Grande São Paulo. Eles morreram na madrugada do dia 12 de março e foram sepultados no Cemitério Parque Gethsêmani Anhanguera, em Osasco, Grande São Paulo. Glauco morreu, mas sua obra continua atual e imortal. 
 

 

EXPOSIÇÃO OCUPAÇÃO GLAUCO



Em 2016, Glauco, ganhou uma belíssima exposição na 30ª edição da “Ocupação Itaú Cultural”.  
O São Paulo para Curiosos preparou uma lista de curiosidades sobre o backstage da exposição e sobre o próprio desenhista:

O processo de curadoria da exposição durou 9 meses. A maior parte do acervo pertence a Beatriz Veniss, viúva do cartunista. Também foram utilizados alguns trabalhos dos acervos d0s cartunistas Toninho Mendes, Emílio Damiani, Angeli, Laerte e do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região​.

 

 

No processo de montagem, quinze pessoas trabalharam na produção interna: cinco marceneiros, uma cenógrafa, duas pessoas responsáveis pelo piso tátil e sete comunicadores (entre designers e produtores editoriais). A montagem do espaço de 120 metros quadrados levou duas semanas. A exposição foi aberta ao público em 9 de julho de 2016.

 

Numa mesa interativa, luzes se acendem colocando em destaque os principais personagens de Glauco. Os visitantes são convidados a desenhar por cima dos traços do artista. Ele teve o primeiro contato com o desenho por influência da mãe, Maria Aparecida Villas Boas, que também pintava e sapateava. Glauco costumava fazer desenhos, piadinhas e rimas até em folhas de papel higiênico.

 

Um dos 160 originais vistos na “Ocupação” é do primeiro dia de trabalho de Glauco com José Hamilton Ribeiro, no Diário da Manhã, em 1977. Ribeiro propôs que, em vez de usar três quadrinhos para contar uma história, Glauco fizesse tudo em um só – ideia que daria origem à charge do dia. O cartunista precisou entregar a charge às 22 horas daquele mesmo dia. Na manhã seguinte, seu primeiro desenho profissional apareceu na imprensa.

 

 

Glauco costumava desenhar Geraldão excitado, com a parte de baixo do corpo sempre à mostra. Os editores não aprovavam a ideia e pediam sempre que ele colocasse uma tarja que escondesse os órgãos genitais do personagem. Ele resistia e passava a responsabilidade para algum outro ilustrador. De tanto que isso aconteceu, os editores se renderam e Glauco foi autorizado a publicar Geraldão sem a tarja.

 

TROFÉU HQ MIX 2011

Glauco foi homenageado em 2011 na 23 edição do troféu HQMIX, o Oscar dos quadrinhos brasileiros.
O artista plástico Olintho Tahara criou uma escultura do Geraldão como troféu da edição.

 

 

 

ENTREVISTA

Leia a seguir trechos da entrevista que Glauco deu para o UOL, em 2001, em que falou sobre o inicio da vida de cartunista, misticismo, o personagem Netão e sobre o seu modo de desenhar:

 

 

"Comecei a desenhar no segundo grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Desde você fazer caricatura dos professores, de algum colega de classe...Também tive contato com o pessoal do Pasquim. Conheci o Henfil, todos aqueles desenhistas, o Ziraldo. Aquilo foi me inspirando.

Quando me mudei para Ribeirão Preto, para prestar vestibular para Engenharia - por incrível que pareça, eu ia prestar vestibular para Engenharia. Não tem nada a ver comigo. Eu levei a sorte de na época o Hamilton Ribeiro, que é um grande jornalista, estar dirigindo o "Diário da Manhã", um jornal de Ribeirão Preto. Ele viu meu trabalho, gostou muito, e me contratou para fazer uma tira diária. Assim começou minha profissão.

Essa primeira tira era o Rei Magro e o Dragolino. Era um rei muito louco, que vivia fumando um baseado, e o Dragolino enfrentando ele. Era essa dupla, num universo de hippie, de rock.

Na época estava no auge do Salão de Humor de Piracicaba, em 1976. Fui premiado e isso me abriu as portas para a grande imprensa, principalmente para a Folha de S. Paulo. Em 1977 comecei a publicar esporadicamente na Folha. No Acontece. Também estava surgindo o Folhetim, que o Tarso de Castro dirigia, e o Angeli era responsável por uma seção de humor na contracapa, que chamava Viralata. Aí eu comecei a publicar toda semana nessa seção. Foi esse o começo na Folha.

 

 

Em 84, a Folha criou a seção de quadrinhos para desenhista nacional e, com aquela lei de 50% do espaço para o pessoal da casa, a gente começou a desenvolver pela primeira vez a tira nacional diária, para competir com a americana."

 

 

"Eu desenho a nanquim com papel, depois eu escaneio e quando é para aplicar cor eu uso o computador. Tentei usar o computador para desenhar, mas meu desenho sai como se fosse uma criança. Não tenho o domínio ainda. Mesmo aquela canetinha que tem uma tela. Para meu tipo de traço, estou acostumado com a pena, que dá um traço todo peculiar."

 

 

"O Angeli sempre tirou muito sarro de mim porque eu sou muito místico. Sou pisciano. Sempre gostei da linha espiritual, de estudar. Depois que eu comecei a freqüentar o Santo Daime -que é uma bebida que vem lá da Amazônia, que os índios consagram-, eles (Angeli e Laerte) tiraram muito sarro dessa minha nova jornada. Chegaram a fazer história sobre o Glauquito, que montou uma religião, encontrou suas raízes, montou uma seita e fez um chá com as suas raízes.




 

O Rhalah Rikota eu não tinha antenado que o Angeli tinha feito especialmente para tirar um sarro mas, com essa confissão dele eu me sinto muito honrado.

 

 

Eu sou daimista. Criamos um grupo de estudo e passamos a receber o Daime lá da floresta. É um centro de pesquisa espiritual. O Daime tem um potencial de cura muito grande.

 

 

Eu coordeno o ritual, que é bastante musical. São vários hinos, recebidos pelos caboclos lá da mata, que a gente executa depois de ter ingerido o Daime. A gente faz um trabalho musical e dentro desse trabalho musical as pessoas vão estudando, dentro da força do Daime, porque ele é um expansor de consciência.

 




O Daime me trouxe muita disciplina, principalmente com meu trabalho de cartunista, do traço. Também relacionado à saúde, porque eu era muito exagerado, boêmio, e isso atrapalhava o meu dia a dia. O traço é uma coisa que você precisa estar harmonizado com você mesmo. Nesse sentido, senti uma evolução muito grande, no meu trabalho e em todos os aspectos da minha vida."

 

Fontes:
Mara Gama 
Uol site
São Paulo para Curiosos site
Simão Pessoa site
Itaú Cultural site
Fotos: 
Werther Santana/AE
Gabrielli Menezes
Google

 

Published in 10 Feb. 2019

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