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Entrevista com Liuyi Wang


 

ENTREVISTA

Brazil Cartoon: Quando você, Sr. Liuyi, teve seu primeiro contato com desenhos animados e animação? Isso mudou sua vida?

Liuyi Wang: Quando eu era criança, meus pais compravam muitos livros de desenhos, de cartuns desenhados por autores chineses e estrangeiros. Eu gostava muito desses livros. Depois de me formar na universidade, fui designado para trabalhar com intercâmbio com países estrangeiros e por isso, tive boas oportunidades de conhecer e curtir cartuns e animações do mundo inteiro. Tenho a sorte de me envolver em negócios de direitos autorais em uma empresa da Beijing Culture Company desde 1997 e, em seguida, atuei como diretor administrativo do estúdio de animação. Eu nunca imaginei  que cartuns e animações se tornem parte da minha profissão. É o destino, aceito e amo minha carreira!

 

Brazil Cartoon:Como surgiu a ideia de organizar eventos culturais de desenho animado, animação, arte e artesanato?

Liuyi Wang: Mais de uma década atrás, minha empresa de animação era a maior empresa de animação da China. Minha empresa de animação produziu um filme de animação Blue Cat Series, The Blue Cat é uma das marcas famosas na China. Para promover essa marca, participei de muitos festivais e eventos de animação e desenho animado no país e no exterior, percebi que é muito importante organizar eventos culturais, isso aumenta a plataforma de intercâmbio e cooperação entre artista e países. Além disso, percebo que as artes tradicionais, especialmente o artesanato, são as fontes criativas de cartum e animação. Tenho muitos amigos não são  excelentes desenhistas de humor, animadores e também bons em artesanato. Eu venho promovendo cartuns, animação e artesanato.  Eu organizei vários eventos culturais que envolve essas três artes marvilhosas em inúmeras cidades na China, 

 

Brazil Cartoon: Onde você mora hoje? Seu escritório também está na sua cidade?

Liuyi Wang: Eu moro em Pequim agora, mas também tenho minha própria casa em Guiyang, minha cidade natal. Eu tenho dois escritórios em Pequim e Guiyang separadamente. No futuro próximo, pretendo montar museus e receber artistas internacionais residentes em Guiyang. Eu acredito que esse sonho está perto de se tornar realidade.

 

Brazil Cartoon: Qual foi o primeiro evento que você e sua equipe organizaram?

Liuyi Wang: Mais de dez anos atrás, fui convidado pelo governo de Guiyang, capital da província de Guizhou para organizar um festival de animação para a cidade, sugeri aos patrocinadores que realizaríamos um evento de animação e cartum voltado para os jovens, porque a nova geração é muito importante para o futuro da China. Minha proposta foi aceita pelos patrocinadores. O concurso de animação juvenil, cartum e histórias em quadrinhos da Ásia foi montado. Eu organizo este evento por oito anos. Agora estamos organizando um novo festival chamdo, Libo Internacional de Animação Infantil e Cartuns.

 

Brazil Cartoon: Quais países tiveram representantes nos eventos organizados por você e sua tripulação?

Liuyi Wang: Nós já organizamos mais de vinte festivais de animação na China. Grandes eventos de cartum e animação. É sempre uma honra convidar artistas de mais de 50 países para participar de nossos eventos. Temos o orgulho de dizer que temos amigos artistas em todo o mundo.

 

Brazil Cartoon: A publicação é muito importante para os artistas. E percebemos que você valoriza a qualidade das publicações. Qual é a importância de livros e desenhos animados e publicações ilustradas para a China?

Liuyi Wang:  A publicação é muito importante para nós, porque mantém o registro das obras, exposições e competições coletadas em nossos eventos. Isso é valioso e histórico. Até agora, publicamos mais de trinta livros sobre cartum e animação, que incluem as obras criadas pelos artistas de mais de 70 países. Estes livros e álbuns de publicação servem de inspiração para nossos leitores chineses .

 

Brazil Cartoon: Você participou de júris no Irã em 2009 e no Brasil em 2010 no concurso organizado pelo Brazil Cartoon. Quais foram os principais eventos que você participou?

Liuyi Wang: Estou muito feliz por ter participado no Irã e no Brasil. Tenho certeza que o salão de humor do Brazil Cartoon é um dos grandes eventos que participei, foi um evento muito bem organizado em Minas Gerais com muita criatividade, humor e cor.

 

Brazil Cartoon: Qual é a importância para a China desse contato com pessoas de várias partes do mundo?

Liuyi Wang: A China adota a política de portas abertas há décadas. É muito bom para o povo chinês aproveitar os benefícios desta política, porque o povo chinês pode realizar negócios e intercâmbio cultural, bem como a cooperação com países estrangeiros. China e Brasil são grandes países do mundo. É muito importante mantermos contatos para melhorar nossa amizade e cooperação.   

 

Brazil Cartoon: Em Libo, a competição de desenhos animados e animação ICACF promove a arte, valoriza as crianças e, principalmente, a natureza. Qual foi o resultado da competição do ano passado? Você notou algum impacto positivo na vida dos moradores do Libo?

Liuyi Wang:  Libo Internacional Animation Children & Comics exerce influência no Libo. Você sabia que Libo é destino turístico famoso na China e no mundo?! as belezas naturais de Libo são misturadas com arte de animação, tornando a cidade ainda mais atraente para os visitantes. Os moradores de Libo já perceberam que o cartum e a animação podem trazer agradáveis experiência para a sua vida dos moradores. O clima é que esse evento deve continuar acontecendo na cidade.

 

Brazil Cartoon: Notamos a grande importância da prefeitura do Libô e o apoio do governo na organização do concurso. As crianças da Libo participaram ativamente das oficinas de desenhos e exposições. Qual é a importância de trazer um júri internacional de cartunistas profissionais e animadores de grandes estúdios de animação para uma competição no Libo? 

Liuyi Wang:  Realmente o Sr. Yin De Zheng, governador do governo Libo tem visão. Ele sabe que a ICACF constroi uma marca cultural e turística para sua prefeitura e cria uma atmosfera única de cultura, com a linguagem universal oferecida pelos cartuns e animações. Também torna famoso o turísmo com a participação de muitos artistas internacionais conhecidos. Agora, estamos discutindo como usar animações, cartuns e ilustração para decorar paredes nos viralejos. Queremos colorir esses lugares mágicos que são rodeados de natureza. O governador  incentiva escolas e crianças de Libo participarem dos eventos que promovemos com grandes artistas internacionais que visitam a cidade. Quero agradecer o Brazil Cartoon pela forte parceria e desejo que seus organizadores e colaboradores continuem desenvolvendo esse trabalho sério e de qualidade.
Conheça mais sobre os eventos icacf  CMIA

Foto: Divulgação 

Jonas Henrrique Martins
Acadêmico de Jornalismo e estagiário do Brazil Cartoon

 

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Depoimento sobre o Brasil Cartoon


 

Qual a sua opinião sobre o Brazil Cartoon?

Um site à altura da produção e qualidades de nossos artistas. Em tão pouco tempo já se tornou uma referência e serve de um importante elo com os principais sites do segmento no mundo, de balizamento para nossos cartunistas e um forte aliado na divulgação dos Salões de Humor realizados no Brasil, promovendo, mesmo que de forma implícita, um intercâmbio que se faz tão necessário entre os mesmos. Toda a equipe está de parabéns!
Edra Amorim
Cartunista, designer gráfico, produtor cultural e editor.
Realizador do Salão Internacional de Humor de Caratinga e fundador da Casa Ziraldo
Conheça mais sobre o cartunista EDRA

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Entrevista com Massoud Shojai


 

Massoud Shojai Tabatabai - Nascido em 1964 em Teerã. É graduado em pintura pela Universidade de Belas Artes de Teerã. É o editor chefe da " Kayhan Caricature " e diretor da “house of cartoon” ou casa do Cartum.  Membro do júri  do concurso de cartuns  de Nasredin Hodja, na Turquia em 1999. Membro do júri do concurso de cartuns de San Antonio, Cuba,2001. Secretário Geral da quinta bienal do Cartum  de Teerã, 2001. Membro do júri do concurso de cartuns de Pequim,  China,2004. Membro do júri do concurso de cartuns de Teerã, 2004. Secretário geral da sétima bienal do Cartum de Teerã, 2005. Membro do júri do concurso de cartuns de Aydin Dogan, Turquia, 2005. Membro do júri do concurso de cartuns Greekartoon, Grécia 2006.  

 

ENTREVISTA

 

Brazil Cartoon: O que você acha desse momento do Humor Brasileiro?

Massoud: Eu acho que agora, o Brasil é muito popular em relação ao cartum e a caricatura no mundo, especialmente no campo do portrait. Muitos cartunistas famosos são do Brasil. 

Brazil Cartoon: Qual a importância do cartum para você?

Massoud: Na minha opinião, o cartum é uma forma artística de expressão objetiva dos problemas e agora se tornou uma linguagem internacional pela qual os cartunistas do mundo inteiro podem se comunicar.

 

Brazil Cartoon: Gostaríamos de saber sobre o papel do cartum iraniano na questão política e, em especial, sobre as pressões dos EUA. Isso tem sido mostrado por meio dos cartuns iranianos?

Massoud: Depois da vitória da revolução Islâmica no Irã, os Estados Unidos assumiram uma política ruim em relação ao país e, depois de 28 anos de sanções contra o Irã, é natural que a maioria dos cartunistas iranianos não concordem com essa política. O Irã é um país pacífico. Os cartunistas daqui prestam muita atenção nos cartuns artísticos, na presença de um grande número de cartunistas iranianos nos festivais internos e no exterior e, os prêmios conquistados nessas competições mostram esse assunto.

Brazil Cartoon: O irancartoon tem um papel fundamental para os cartunistas do mundo. Sentimos como se o seu web site fosse um Oásis para os desenhistas sedentos de informações sobre concursos e notícias. Sabemos que há mais de 10 anos vocês estão no ar. Como surgiu esta idéia? 

Massoud: Eu realmente agradeço a você pela sua atenção para com o site irancartoon, nós tentamos enfocar os cartuns em diferentes aspectos no nosso site e estamos felizes em ter muitos leitores e expectadores ao redor do mundo. Mas para responder a segunda parte da sua pergunta, eu devo dizer que o site vem, desde o ano 2000, incluindo o cartum iraniano nas artes internacionais e, passo a passo, vem se estendendo para diferentes campos e agora nós temos bons amigos pelo mundo e especialmente no seu país. É um grande orgulho para nós ter parceiros que nos ajudam a tornar o site irancartoon mais poderoso.
 

Brazil Cartoon: Em sua opinião além de sermos conhecidos como o país do futebol e do carnaval também podemos ser lembrados como o país do cartum?

Massoud: Sim, por causa da boa qualidade dos trabalhos de seus cartunistas. Eu acho que seu país tem a capacidade necessária para ser chamado de a “terra do cartum e da caricatura” também.

 

Brazil Cartoon: O portal Brazilcartoon se intitula como filho do irancartoon. Como você o conceitua?

Massoud: Isso demonstra a sua humildade em dizer que o site Brazilcartoon é um filho do site irancartoon, nós dizemos que o Fanofunny.com é nosso pai, então esse site deveria ser chamado de avô do Brazil Cartoon. Finalmente, a presença do Brazilcartoon (que na minha opinião é muito especializado) tornou possível divulgar cartunistas do mundo inteiro e, num curto espaço de tempo, trouxe fama para muitos cartunistas brasileiros.

Conheça o site Irancartoon

Entrevista concedida ao Brazil Cartoon em 2007
Foto: Arquivo pessoal de Massoud

Cinara Dreide
Jornalista 

 

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Entrevista com Tommy Thomdean da Indonésia


 

Tommy Thomdean, foi um dos vencedores do Salão Internacional de Humor sobre a Floresta Amazônica em 2008 (organizado pelo Brazil Cartoon). Tommy começou a desenhar cartuns em 1997, trabalhando como cartunista e ilustrador free-lance, além de trabalhar como arquiteto para muitos projetos sociais de habitação para pessoas de baixa renda na Indonésia. Atualmente trabalha como ilustrador e cartunista para o Kompas, o maior jornal diário da Indonésia.Tommy Thomdean conquistou muitos prêmios.Principais Prêmios:

- 2º lugar: National Mascot Design Contest, BPS
(Statistic Bureau Center), Indonésia / 1999

- Grande prêmio: Concurso de Caricatura
PROSENI GRAFIKA, UGM, Indonésia / 1999

- Menção especial: Concurso de Caricatura da
“Catholic Youth Meeting”, Indonésia / 2002

- Menção especial: Competição de
Caricatura Jakarta, Indonésia / 2003

- 3º lugar: Biblioteca Poster Design,
54º Aniversário UGM, Indonésia / 2003

- 2º lugar: Competição de Caricatura Yogyakarta,
MERAPI daily, Indonésia / 2004

- Menção especial: “KOMPAS Caricature award 2004
Jakarta, Indonésia / 2004

- 5º lugar: DRUGS Cartum, YCAB
Jakarta, Indonésia / 2005

- Premiado no 2º Syria Cartoon Contest, Síria / 2006

- 3º lugar: Pen Syria Cartoon Festival / 2007

- 1º lugar: Cartum: mordaça, WORLD PRESS CARTOON
Sintra, Portugal / 2007

- Seis melhores cartuns:
“Urbanization and life, Indiaink”, Índia / 2007
 

ENTREVISTA 

Brazil Cartoon: A Indonésia é um país onde existem problemas climáticos acentuados, vulcões e terremotos, como você avalia os desastres ambientais sofridos por eles?

Tommy: Os cidadãos já se familiarizaram com os terremotos em suas vidas. O fato geograficamente inegável é que vivemos sobre uma área de terremotos, por essa razão, quando construímos novas comunidades, temos que considerar esse fato.

 

Brazil Cartoon: Qual a sua opinião sobre os problemas de desmatamento e degradação da Floresta Amazônica?

Tommy: Os problemas enfrentados pela Floresta Amazônia são os mesmos enfrentados pelas florestas da Indonésia. Elas têm sido destruídas em nome da industrialização desconsiderando-se a responsabilidade ambiental. Na Indonésia, a maioria das derrubadas ocorre na Ilha Kalimantan, onde também fica a maior área de florestas. Aparentemente, muitas indústrias estão falindo porque elas exploraram a floresta sem conservá-las. A madeira não é mais um recurso renovável ela agora é como um combustível fóssil, mais caro e mais raro. Quando as pessoas constroem casas, elas procuram por uma alternativa a madeira. Eu acho que o fenômeno do aquecimento global está ganhando mais atenção porque a terra está passando por uma mudança clara devido às atividades humanas. Nós devemos entender o fenômeno e agir, mesmo que com passadas pequenas.

 

Brazil Cartoon: Várias obras de sua autoria abordam temas sociais e ecológicos. Além de participar de eventos de humor qual o seu papel nestas questões?

Tommy: A maioria dos meus cartuns são sobre questões ambientais e sociais. Esses são meus interesses desde que eu estudei arquitetura. Além de trabalhar como editor de cartuns no jornal diário Kompas, eu também estou envolvido com programas e campanhas sobre o aquecimento global para crianças e adolescentes.

 

Brazil Cartoon: Qual a sua opinião sobre os eventos de humor realizados pelo Brazil Cartoon? 

Tommy: Eu admiro muito todas as iniciativas. Eu espero que o Brazil Cartoon continue realizando concursos de humor e proporcione mais oportunidades para reunir cartunistas brasileiros e estrangeiros.

 

Brazi Cartoon: Já conhece o Brasil? Como conceitua nosso país?

Tommy: Não, mas eu adoraria visitar o Brasil algum dia. Adoraria ver de perto o futebol, a Floresta Amazônica, a capoeira o  samba...
 

Brazil Cartoon: Como você avalia o Brazil Cartoon para o desenvolvimento do desenho de humor?

Tommy: Ele é muito importante! O Brazil Cartoon me inspirou a publicar um livro, conduzir uma exposição, e um fórum. Criei uma galeria para outros cartunistas da comunidade. O Brasil Cartoon  conecta todos os cartunistas do mundo. 
 

Entrevista concedida ao Brazil Cartoon em 2008
Foto: Divulgação

Cinara Dreide
Jornalista

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Entrevista com Eduardo Baptistão


 

Eduardo Baptistão nasceu em São Paulo em 1966. Desenha desde a infância, por influência de dois Alceus, o pai e o irmão. Também por influência do primeiro Alceu, se tornou palmeirense. Formou-se em Publicidade e Propaganda pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero em 1988. Publicou seu primeiro desenho em 1985, na Folha de S. Paulo. A partir daí, começou a trabalhar como ilustrador free-lancer, paralelamente aos seus empregos, até ser contratado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 1991.Trabalhou na redação do Estadão por 22 anos, até 2013. Nesse periodo, seu trabalho evoluiu e se tornou mais conhecido, notadamente como caricaturista. Alcançou prêmios nacionais e internacionais em diversos salões de humor e de desenho para imprensa. Além de ter trabalhado também para o Jornal da Tarde, do mesmo Grupo Estado, colaborou com alguns dos maiores veículos de comunicação do país, como o Le Monde Diplomatique Brasil e as revistas Istoé, Placar, Vogue, Playboy, Sexy, Vip, Imprensa, Quem, entre outras. Fez também diversas ilustrações para livros, discos e outros projetos.
Atualmente, continua publicando no Estadão, e mantém longa colaboração com as revista Carta Capital (desde 1995) e Veja (desde 2004). Mais recentemente, passou também a ilustrar para a revista Época Negócios.
Fez exposições individuais, participou de diversas coletivas, e teve três livros autorais de caricatura publicados.

 

ENTREVISTA

Brazil Cartoon: Conte-nos um pouco da sua trajetória como caricaturista.

Baptistão: Eu desenho desde criança e trabalho como ilustrador desde 1985, quando publiquei meu primeiro desenho. Sempre gostei de desenhar pessoas, mas caricatura mesmo só aprendi a fazer depois que entrei no Estadão, em 1991. Inspirei-me muito no trabalho de colegas do jornal, como Carlinhos Muller, Marcelo Pinto e Paulo Caruso. Com essa escola e muito treino, fui encontrando o meu jeito de fazer caricaturas e, principalmente, descobrindo que era isso que eu sempre quis fazer na vida e não sabia. Os salões de humor brasileiros foram muito estimulantes para o meu trabalho e ajudaram-me a tornar conhecido. E a internet, mais recentemente, veio dar um impulso ainda maior na divulgação.

 

Brazil Cartoon: Qual o nome citaria como referência na área de caricatura?

Baptistão: Foram muito importantes como referência no início da minha trajetória os irmãos Caruso, Benício, Ziraldo, Trimano, além dos já citados Carlinhos e Marcelo. E continuo aprendendo sempre, com muitos outros colegas.

 

Brazil Cartoon: Para você como o desenho de humor é visto fora do Brasil?

Baptistão: O mundo leva muito a sério o desenho de humor. Existem salões importantes e representativos espalhados por vários cantos do planeta e é interessante notar como o humor gráfico é forte em países cuja cultura geralmente conhecemos em menor grau, como os do Oriente Médio e do Leste Europeu. Ele continua sendo uma arma poderosa contra os regimes totalitários, a segregação social, racial e econômica e as guerras. E o humor gráfico brasileiro é muito presente e respeitado lá fora.

 

Brazil Cartoon: Qual o seu conceito sobre o Brazilcartoon?

Baptistão: O Brazil Cartoon cumpre um papel importantíssimo de agrupar a produção de humor gráfico do Brasil, tão grande e diversificada como o próprio país, e mostrá-la para o mundo de maneira clara e organizada. E, na mão inversa, atualiza os brasileiros sobre o humor que se produz mundo afora. Apesar de recente, o site já é uma referência brasileira e internacional. Uma iniciativa generosa do colega Márcio Leite, ele mesmo um dos nossos grandes cartunistas.

Conheça mais sobre o artista Baptistão site 

Entrevista concedida ao Brazil Cartoon em 2007
Foto: site Bemparaná

Cinara Dreide
Jornalista
 

 

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Entrevista com Orlando Pedroso


 

Orlando Pedroso é paulistano, nasceu em 14 de fevereiro de 1959. Em 1978, publicou seus desenhos pela primeira vez, já na época da abertura política, no jornal Em Tempo. Morou na Europa por três anos e meio. De volta, em 1985, passou a colaborar com o jornal Folha de S.Paulo e com as melhores e piores publicações da cidade. Em 1997 expôs no Espaço Unibanco de Cinema de São Paulo e do Rio os desenhos de Como o Diabo Gosta. Em 2001, no Espaço Ophicina, em São Paulo, expôs Olha o Passarinho! Em 2002, organizou o livro Dez na ÁreaUm na Banheira e Ninguém no Gol, Prêmio HQMix de melhor ilustrador de 2001. É pai de duas meninas, leitoras vorazes. Quando eram pequenas, ficava pensando em quando conseguiria desenhar tão bem quanto elas.                                                                     

ENTREVISTA

Brazil Cartoon: Por que fundar uma SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil e como foi a iniciativa?Orlando: Quando fui convidado a participar da SIB, ela já havia dado os primeiros passos. Já havia uma rotina de reuniões e de conversas. Com o esvaziamento das editorias de arte nos jornais e revistas e com o desmonte dos departamentos de arte das agências, os ilustradores perderam suas referências que são exatamente seus pares. As listas na internet foram as precursoras desse retorno à troca de idéias. Por outro lado, havia as tentativas frustradas de entidades como o Clube de Criação e a ABRAG que acabaram desmontadas pela falta de quem as tocasse lá pelos anos 70. Aí talvez resida a grande dificuldade de qualquer organização que reúna artistas do traço. Ninguém gosta de lidar com as “burocras” que, inevitavelmente aparecem quando você está à frente de uma entidade. Fora isso, é um piano ladeira acima.

 

Brazil Cartoon: Como se encontra a situação da ilustração no Brasil? Ela é bem aceita fora do país?

Orlando: Depois de anos estagnada, parece haver uma retomada do ofício. Do final dos anos 80 até pouco tempo, toda a linda história da ilustração nas artes gráficas no Brasil parecia escorrer pelo ralo. Não só o trabalho deixou de ser economicamente vantajoso como às novas gerações deixaram de se interessar por ela. Isso teve uma conseqüência desastrosa principalmente na nova geração de diretores de arte que deixaram de enxergar na ilustração uma solução lúdica ou opinativa para suas páginas optando, muitas vezes, por fotos frias e vazias. Os últimos 5/8 anos trouxeram um alento com ilustradores realmente interessados em criar ou revigorar uma ilustração que já estava a caminho do limbo. Ainda falta muito, com certeza e a conquista de espaço e respeito no exterior serão resultados desse trabalho.

 

Brazil Cartoon: Com tantos recursos gráficos que tem nos favorecido, como por exemplo, o Photoshop, em sua opinião o talento, o traço, a tecnologia e a ecoline correm o risco de saírem de moda?

Orlando: Moda, em artes gráficas é uma palavra que praticamente só se usa no Brasil. Steinberg teria morrido de fome aqui. Se você gosta de fotografar, não encontra mais filmes, químicos ou papel fotográfico. Isso é um absurdo. No entanto, depois de tanto photoshop, degradês com cores primárias e soluções plug-ins, há grupos bastante interessados em retomar a essência do desenho. Riscar, sujar as mãos, experimentar, nunca vai sair de moda.

 

Brazil Cartoon: Atualmente, nos deparamos com diversas situações de plágio e similaridades nos salões de humor. Como você define a ética no desenho de humor, em especial, na ilustração?  

 

Orlando: Tenho sido convidado para ser jurado nos principais salões do Brasil e esse é um assunto que me preocupa muito. Plágio sempre existiu e é muito diferente de similar. A internet é um instrumento valiosíssimo, mas cobra um preço alto. Veja só: eu recebo todos os dias uma quantidade de e-mails pedindo para que eu olhe este ou aquele site, blog, flog e o escambau. Todos recebemos indicações de amigos e colegas com aquele “dá uma espiada”. Essa espiada, na maior parte das vezes, não nos deixa fixar, analisar e reter como de outro aquela idéia. Passamos a ter, então, a similaridade involuntária pipocando por aí. Aquela imagem fica armazenada em algum lugar de seu sub-consciente e, num belo dia, surge como uma idéia nova. Depois, acho também que existe um certo nivelamento por baixo nas idéias produzidas. Isso é reflexo do pouco caso com a cultura no Brasil. Sem desmerecer ninguém, basta entrar num chargeonline para achar algumas idéias muito parecidas todos os dias. Na ilustração, a “chupada” está mais em relação ao traço do que propriamente às idéias que, em geral, estão atreladas a um texto. Acontece de alguém fazer algo muito perecido com outro? Sim, claro, mas faz parte da coisa.

 

Brazil Cartoon: É muito interessante o espaço que vocês destacam em seu site sobre orientação profissional. Falando sobre isso, com tanto CTRL C e CTRL V, como fica a questão dos direitos autorais?

Orlando: A máxima chacriniana de que nada se cria, tudo se transforma é completamente atual. A SIB disponibiliza em seu site contratos e orientações que servem para nortear o profissional numa determinada negociação. Querer que o Brasil inteiro seja regido por uma tabela de preços justa pode ser uma utopia mas, aos poucos, temos conseguido grandes conquistas. O que você cria é seu e é a partir daí que os critérios de uso devem ser norteados. Pirataria, uso indevido, uso sem autorização, quebra de contrato, não pagamento, entre outros, são tópicos sujeitos a uma lei que nos protege. Artistas deveriam deixar de ser bundões e passarem a se valorizar produzindo um trabalho cada vez melhor e se informando sobre seus direitos. A partir daí, exigir.

Entrevista concedida ao Brazil Cartoon em 2008
Saiba mais sobre a SIBI
Foto: Extraida do filme Gordinhas 

Cinara Dreide
Jornalista

 

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Expo do cartunista e artista plástico Jr.


 

Mais do que darem o seu rosto ao imaginário coletivo mundial do cinema, da literatura, da música, da pintura, da política e até da religião, diversas celebridades são também, literalmente, a face do trabalho do artista plástico brasileiro Júnior Lopes. A partir dos retalhos de diferentes tecidos, o artista apresenta uma perspectiva nunca antes vista de figuras que já todos conhecemos.

Jim Morrisson, John Lennon e John Coltrane. O talento e o legado artístico destes músicos ficou para sempre imortalizado nos seus trabalhos discográficos. Agora, os seus rostos e o de outras conhecidas personalidades foram também eternizados pela mão do artista plástico brasileiro Júnior Lopes. Utilizando retalhos dos mais diversos tecidos, Júnior confere novas cores e texturas a caras já tão familiares em todo o mundo.

Do caos nasceu a arte: algumas toalhas pretas e uma outra de flores brancas espalhadas no chão da casa do artista fizeram nascer o primeiro retrato. A junção acidental e desordenada de cores, materiais, padrões e volumes trouxe a imagem do mítico guitarrista Jimi Hendrix à mente de Júnior Lopes. A partir daí, muitas foram as célebres personalidades que "emprestaram" a sua imagem ao desenvolvimento da refrescante e inovadora técnica artística: Gandhi, Fernando Pessoa, Roberto Carlos, Andy Warhol, Adoniran Barbosa, Jim Morrisson, entre outros.

A Levi's viu no trabalho deste artista uma possibilidade única de promover os seus jeans da forma mais original e genuína, utilizando a sua própria ganga na produção dos retratos que fizeram parte do catálogo da marca em 2004. Nunca o propósito da promoção publicitária de uma marca tinha sido conseguido tão literalmente e, por isso, a campanha não passou despercebida: o prestigiado Festival Internacional de Cannes atribuiu-lhe um Leão de Ouro.

Os recortes e colagens de Júnior Lopes dão forma ao imaginário coletivo de todo um planeta, mas ganham ao mesmo tempo uma identidade própria. Já não são apenas músicos, cantores, escritores e pintores que vivem naqueles retratos de pano; simbolicamente, os seus rostos são, por sua vez, um retrato de corpo inteiro de uma visão artística singular.

Júnior Lopes é também cartunista e caricaturista, sendo que as suas criações já preencheram as páginas de publicações como a SuperInteressante, a Rolling Stone e a Folha de São Paulo. Recentemente, a revista Gráfica, considerada uma das referências em design e artes gráficas no Brasil, dedicou a sua capa e várias páginas aos trabalhos feitos em diversos tecidos pelo artista residente em São Paulo.

A sua criatividade já foi exposta além-fronteiras, em Moçambique; o génio do artista é também apreciado na Alemanha, em Itália e em Cuba, países de onde já surgiram diversas propostas que Júnior Lopes está agora a estudar.

A exposição fica até dia 20 de dezembro Endereço:Rua do Caminho do Pilar,500Vila Gilda, Santo André, São Paulo. Entre em contato com o artista clique aqui!

Fonte: Texto na íntegra / OBVIOUS Artes e Ideias  por Debora Canbé



 

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Baixe o APP Brazil Cartoon


Agora, você vai ficar muito mais antenado sobre tudo que acontece no mundo do desenho de humor.O aplicativo Brazil Cartoon foi criado pensando no dia a dia dos desenhistas.Você recebe notificações de novas curtidas, novos seguidores e comentários de seus trabalhos, em tempo real. Além de poder postar imagens de seus desenhos  e vídeos direto do seu celular de forma fácil e instantânea. 

Para baixar é simples.

O aplicativo está disponível gratuitamente na App Store (IOS) ou no Google Play Store (Android).

Após a instalação, abra o aplicativo e selecione como deseja acessar o Brazil Cartoon. 
Caso ainda não seja cadastrado, você pode criar sua conta utilizando os dados de uma conta existente no Facebook, no Google ou apenas com o seu e-mail. 

Boa sorte! :)
​​​​​​Brazil Cartoon

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Ziraldo redesenha a marca do Brazil Cartoon


 

A marca criada, em 2007, pelo fundador do Brazil Cartoon teve sua logo reformulada com a tipologia da marca desenhada pelo cartunista mais famoso do Brasil: Ziraldo Alves Pinto, que a cedeu em 2016, de forma gratuita para a plataforma do Brazil Cartoon.Em 2018, a plataforma ganhou um novo layout mais responsivo e de fácil navegação.
E esta é apenas uma das muitas novidades para estimular a produção, a publicação e a divulgação internacional de conteúdos artísticos e de desenho de humor gráfico.

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