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A cartunista Venezuelana Rayma Suprani


Rayma Suprani é uma cartunista de imprensa venezuelana que nasceu em Caracas. Formou-se em jornalismo na Universidade Central da Venezuela e trabalhou em vários jornais radicados em Caracas, como o El Diaro Economia Hoy e o Diario de Caracas. Por 19 anos, ela publicou seus desenhos no El Universal, mas em setembro de 2014, ela foi demitida de seu jornal por publicar um desenho que retratava a marca de Hugo Chávez e porque criticava o sistema de saúde na Venezuela. Rayma recebeu o Prêmio da Imprensa da Sociedade Interamericana (2005) e o Prêmio Pedro Leon Zapata como Melhor Cartunista da Venezuela (2000, 2009). Rayma também foi ameaçada muitas vezes por seus cartuns, nos quais ela retrata as notícias venezuelanas. Ela é uma das protagonistas do filme Caricaturists - Footsoldiers of democracy, dirigido por Stéphanie Valloatto. Em 2015, ela deu conferências sobre a defesa dos direitos humanos para a organização Freedom House e o Oslo Freedom Forum na Noruega.

Rayma Suprani is a Venezuelan press cartoonist who was born in Caracas. She graduated in journalism at the Central University of Venezuela and she worked for various newspapers based in Caracas such as El Diaro Economia Hoy and the Diario de Caracas. For 19 years, she published her cartoons in El Universal, but in September 2014, she was fired from her newspaper for publishing a cartoon that portrayed Hugo Chávez’s signature and because it criticized the health care system in Venezuela. Rayma was awarded the Interamerican Society Press Prize (2005) and the Pedro Leon Zapata Prize as Venezuela Best Cartoonist (2000, 2009). Rayma has also been threatened many times for her cartoons, in which she depicts Venezuelan news. She is one of the protagonists of the film Caricaturists – Footsoldiers of democracy, directed by Stéphanie Valloatto. In 2015, she gives conferences on the defence of human rights for the Freedom House organization and the Oslo Freedom Forum in Norway.

 



 

Quando Rayma Suprani era uma garotinha, a cartunista costumava desenhar nas paredes de sua casa em Caracas. Ela era tímida e não falava muito, ela se expressava nas desenhando nas paredes. Suprani continuou desenhando e em sua adolescência teve um professor que lhe ensinou como desenhar figuras humanas. Na faculdade, estudou jornalismo, mas continuou desenhando. Depois de um estágio em um jornal, ela percebeu que poderia conciliar os dois. "Eu acho que o que realmente me atraiu para ser uma caricaturista é que é como um jogo. Você tem que encontrar o que está escondido e ser capaz de revelá-lo e mostrá-lo ao mundo em uma caricatura. É fascinante ".
Ela se tornou caricaturista do Jornal El Universal, trabalhando por quase 20 anos.

When Rayma Suprani was a little girl, the cartoonist used to draw on the walls of her house in Caracas. She was shy and did not talk much, she expressed herself in the sketches on the walls. Suprani continued to draw and in his teens had a teacher who taught him how to draw human figures. In college, he studied journalism, but continued drawing. After an internship in a newspaper, she realized that she could reconcile the two. "I think what really attracted me to being a caricaturist is that it's like a game. You have to find what's hidden and be able to reveal it and show it to the world in a cartoon. She became a cartoonist for the newspaper El Universal, working for almost 20 years.

 





Suprani tornou-se conhecida como uma caricaturista dura, ácida, mas original. O advogado venezuelano de direitos humanos Alfredo Romero diz que Suprani é mais do que uma caricaturista: "Ela é alguém que pode interpretar o momento. É algo incrível. Tudo o que ela diz em seus desenhos é eficaz. Isto é, representa o momento certo, e a mensagem certa. Ela é a melhor caricaturista da Venezuela ou pelo menos a mais famosa, com certeza. "

Suprani became known as a hard, acid, but original caricaturist. Venezuelan human rights lawyer Alfredo Romero says that Suprani is more than a caricaturist: "She is someone who can interpret the moment.It is incredible.Everything she says in her drawings is effective.It represents the right moment , And the right message, she's the best caricaturist in Venezuela or at least the most famous, for sure."




 

 



 

Rayna Suprani não está mais na Venezuela. Por causa de seus desenhos, ela foi exilada e está hoje em Miami. Ela foi demitida do El Universal em 2014, logo após ter publicado essa charge.

Rayna Suprani is no longer in Venezuela. Because of her drawings, she was exiled and is in Miami today. She was fired from El Universal in 2014, shortly after she published a cartoon

 

 


A mensagem é que o eletrocardiograma da economia venezuelana pode ser atribuído em parte às políticas do falecido presidente venezuelano, Hugo Chávez, pai do movimento de esquerda populista conhecido como chavismo. Quando Chávez estava no poder, Suprani rotineiramente o aniquilou em suas caricaturas. No entanto, para o ano de 2014, seu sucessor chavista, o presidente Nicolas Maduro, elevou o ex-líder à categoria de santo. E na mesma época, o jornal de Suprani, El Universal, mudou de dono. Os novos proprietários apoiaram Maduro. E Suprani foi demitida.
O jornalista venezuelano Cesar Miguel Rondón disse que o governo de Maduro agiu como um valentão: "Eles se comportaram como vândalos em uma esquina da rua. Não há regra de direito aqui. O exercício apoia uma ditadura em vez de uma democracia. 

The message is that the electrocardiogram of the Venezuelan economy can be attributed in part to the policies of the late Venezuelan president, Hugo Chavez, father of the populist left movement known as chavismo. When Chavez was in power, Suprani routinely annihilated him in his caricatures. However, by the year 2014, his Chavista successor, President Nicolas Maduro, elevated the former leader to the rank of saint. And at the same time, the newspaper of Suprani, El Universal, changed of owner. The new owners supported Maduro. And Suprani was fired.
Venezuelan journalist Cesar Miguel Rondón said Maduro's government acted like a bully: "They behaved like vandals on a street corner. There is no rule of law here." The exercise supports a dictatorship instead of a democracy.








Depois de ser demitidas, Suprani, começou a receber ameaças de morte. Os ataques foram feitos com a intenção de prejudicar sua integridade como mulher. "Eles disseram: 'Em vez de fazer o que você está fazendo, por que você não vai encontrar um homem, um marido? 'Você é lésbica'. 'Você é uma prostituta' ".
A imagem de Suprani começou a aparecer na televisão do canal estatal. O próprio presidente Maduro denunciou Rayma Suprani em seu programa semanal. 

After being fired, Suprani, began to receive death threats. The attacks were made with the intention of harming her integrity as a woman. "They said, 'Instead of doing what you're doing, why do not you find a man, a husband?' You're a lesbian. '' You're a prostitute.'' Suprani's image began to appear on state television. President Maduro himself denounced Rayma Suprani on his weekly show.
 







Suprani, não aguentou a pressão do Ditator. Ela não conseguiu encontrar mais emprego no país e, finalmente, em dezembro de 2015, ela saiu. "Emocionalmente falando, eu nunca quis deixar a Venezuela, mas se tornou um risco tão grande que eu não poderia morar lá. Ele me paralisou e agora eu sinto que estou em um lugar onde eu posso ver tudo à distância e posso ser mais útil, porque minha criatividade pode fluir sem preocupações ”.

Suprani, could not stand the pressure of the Dictator. She could not find more employment in the country and finally in December 2015 she left. "Emotionally speaking, I never wanted to leave Venezuela, but it became such a risk that I could not live there. It paralyzed me and now I feel like I'm in a place where I can see everything from a distance and I can be more useful, because my creativity can flow without worry. "

 

 

 

 

 

 

 


 

 


 

 


 

 


 

 

Fontes / Sourse: 
Global Voices SITE
Rayma Suprani SITE
Fotos / Photos: Rayma Facebook 


 

24 mar. 2019
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Omar Zevallos Arte Facto


 

 

Omar nasceu em uma linda cidade chamada Arequipa, ao sul do Peru. É caricaturista e cartunista, há mais de 20 anos. Iniciou sua carreira, em 1979, com duas exposições de humor político que marcaram sua vida. Estudou biologia e, também, jornalismo. Ganhou o prêmio da União de Jornalistas de Cuba na Sexta Bienal de Humor Gráfico de San Antonio de los Baños, medalha de bronze no concurso internacional de humor gráfico do jornal "Yomiuri Shimbun", no Japão, em duas edições (1985-1986) e, também, terceiro lugar no Concurso Excepcional de Humor Político de Knokke-Heist, na Bélgica. Já foi convidado para participar de juris internacionais. Omar tem trabalhos expostos em museus e salões de humor em várias partes do mundo, incluindo Japão, Bélgica, Cuba, Bulgária, França, Espanha, Inglaterra, Itália, etc. Foi escolhido para a amostra dos "100 professores de Humor Gráfico", sobre o tema Paz no Mundo, na Itália. Publicou três livros humorísticos: "Salve-se quem pode", "Não me faça rir" e "Sim, querida”. É casado e tem uma filha chamada Cami Zevallos.

* Omar was born in a beautiful city called Arequipa, in the south of Peru. He has been a caricaturist and cartoonist for more than 20 years. He began his career in 1979 with two exhibitions of political humor that marked his life. He studied biology and also journalism. He won the Union of Journalists of Cuba award at the Sixth Biennial of Graphic Humor of San Antonio de los Baños, bronze medalist in the international graphic humor contest of the Yomiuri Shimbun newspaper in Japan in two editions (1985-1986) and , also, third place in the Exceptional Competition of Political Humor of Knokke-Heist, Belgium. You have already been invited to participate in international juris. Omar has works exhibited in museums and salons of humor in various parts of the world, including Japan, Belgium, Cuba, Bulgaria, France, Spain, England, Italy, etc. He was chosen for the sample of "100 teachers of Graphic Humor", on the theme Peace in the World, in Italy. He has published three humorous books: "Save yourself who can," "Do not make me laugh," and "Yes, my dear." He is married and has a daughter named Cami Zevallos.





 





 




 


Maria Ribeiro 
Jornalista *Jornalist
Diretora de Conteúdo do Brazil Cartoon
* Content Director of Brazil Cartoon
mariaribeiro@brazilcartoon.com

 

Brazilcartoon: Omar, fale um pouco sobre você. Como foi sua infância e o desenho?
* Omar, tell me a little about yourself. How was your childhood and drawing?

Omar: Eu nasci na cidade de Arequipa, ao sul da capital do Peru. Meu pai era um artista reconhecido que pintava pinturas surrealistas; mas ele não fez cartuns; no entanto, gostei dos desenhos desde que era criança porque vi a obra do grande professor Julio Málaga Grenet na revista "Variedades". Desde então, desenhei muitos cartuns e aprendi a relação com o humor gráfico.
* I was born in the city of Arequipa, south of the capital of Peru. My father was a recognized artist who painted surrealist paintings; but he did not make cartoons; however, I liked the drawings since I was a child because I saw the work of the great teacher Julio Málaga Grenet in the magazine "Variedades". Since then, I have drawn many cartoons and learned the relationship with graphic humor.


 

 

 



Brazilcartoon: Quando  você começou a publicar e porque ainda ama o cartum?
* When you started publishing and why you still love cartoons?

Omar: Publiquei desde tenra idade na revista "El Chispazo" e depois no jornal "Correo" como cartunista político. E, também, participei de um concurso internacional de humor gráfico e ganhei alguns prêmios.
* I published from an early age in the magazine "El Chispazo" and later in the newspaper "Correo" as a political cartoonist. And I also participated in an international graphic humor contest and won some awards.


 




Brazilcartoon: Como surgiu a Revista ARTEFACTO, como você teve essa ideia?
* How ARTEFACTO Magazine came about, how did you come up with this idea?

Omar: Sou jornalista de profissão e sempre gostei de revistas e design de revistas. A ideia começou, em 2007, porque não havia uma publicação especializada em que tópicos sobre as artes gráficas fossem abordados. É por isso que decidi fazer minha própria revista e aproveitar o poder da Internet; e assim eu pude alcançar até 200 mil downloads da revista, que foi publicada no meu blog e no Issuu.
* I am a journalist by profession and have always enjoyed magazines and magazine design. The idea started in 2007 because there was no specialized publication on graphic arts topics to be addressed. That's why I decided to make my own magazine and harness the power of the Internet; and so I could reach 200 thousand downloads of the magazine, which was published in my blog and Issuu.


 



Brazilcartoon: A revista é 100% digital?
Is the magazine 100% digital?

Omar: Isso mesmo, é apenas digital, porque a impressão implica outra logística e um custo maior.
* That's right, it's just digital, because printing implies another logistics and a higher cost.

 



Brazilcartoon: Você acha que o papel, revistas impressas vão acabar?
* 
Do you think paper, printed magazines will end?

Omar: Espero que não. Mas é verdade que há menos revistas impressas e menos leitores que as compram. O mesmo não acontece com o livro, que não acho que vá desaparecer.
* Hope not. But it is true that there are fewer printed magazines and fewer readers who buy them. The same does not happen with the book, which I do not think will go away.


 



Brazilcartoon: Qual é a sua previsão para isso acontecer?
* What is your prediction for this to happen?

Omar: Talvez em uma década, as revistas impressas desapareçam, infelizmente.
* Perhaps in a decade, printed magazines disappear, unfortunately.


 



Brazilcartoon: ARTEFACTO publica que tipo de conteúdo?
*
ARTEFACTO publishes what kind of content?

Omar: É uma revista que publica conteúdos relacionados à arte gráfica, como humor, ilustração, design gráfico, fotografia, quadrinhos, etc.
* It is a magazine that publishes content related to graphic art, such as humor, illustration, graphic design, photography, comics, etc.


 




Brazilcartoon:  A revista faz distinção entre cartum e artes plásticas?
* Does the magazine distinguish between cartoon and fine arts?

Omar: Sim, de certa forma, porque não lida com artes plásticas. É mais especializada. 
* Yes, in a way, because it does not deal with plastic arts. It is more specialized.








Brazilcartoon: Existe algum preconceito em relação às artes plásticas?
*Is there any prejudice in relation to the plastic arts?

Omar: Não, é só que as artes plásticas precisam de um espaço para divulgar o que se faz no campo das artes plásticas e porque a minha profissão está mais ligada a essa arte.
*No, it's just that the visual arts need a space to publicize what is done in the field of plastic arts and because my profession is more linked to this art.









Brazilcartoon: A revista ARTEFACTO ficou algum tempo sem ser publicada, a edição da revista exige muito de você? É um processo longo? Como você escolhe os temas?
* The ARTEFACTO magazine has not been published for some time, does the magazine issue require much from you? Is it a long process? How do you choose the themes?


Omar: Sim, a revista Artefacto é uma iniciativa gratuita e própria, não percebo nenhum interesse econômico e muitas vezes não tenho tempo para continuar trabalhando nela. É por isso que parei de fazer isso por alguns anos; até que decidi retomar, porque há muitos amigos e colegas que exigem sua publicação. É uma satisfação que eles amam e valorizam muito.
* Yes, the magazine Artefacto is a free initiative of its own, I do not understand any economic interest and I often do not have time to continue working on it. That's why I stopped doing this for a few years; until I decided to resume, because there are many friends and colleagues who demand their publication. It is a satisfaction that they love and value a lot.


 


 


Brazilcartoon: Esta edição do número 69 é emblemática?
Is this issue number 69 emblematic?

Omar: Curiosamente, é um número que já foi iniciado e deixei inacabado; e agora que eu peguei de volta, encontrei o material avançado. É verdade que é emblemático porque lida com temas eróticos e interessantes para os artistas que o seguem e colecionam.
* Curiously enough, it is a number that has already been started and left unfinished; and now that I've got it back, I've found the material advanced. It is true that it is emblematic because it deals with erotic themes and interesting for the artists who follow and collect.

 

 

 


Brazilcartoon: E se é sobre humor, é possível imaginar muitas possibilidades com esse número.
O que esta edição traz para o leitor?

* And if it's about humor, you can imagine many possibilities with that number. What does this edition bring to the reader?

Omar: É verdade; e é uma boa idéia desafiar colegas de humor gráfico para convocá-los a publicar algo sobre um determinado tópico.
* It is true; The magazine is a collection of graphic humor to summon students on a particular topic.

 

 




Brazil Cartoon: Qual a periodicidade da revista ARTEFACTO a partir de agora?
*
What is the periodicity of ARTEFACTO magazine from now on?

Omar: ARTEFACTO é uma revista virtual mensal, como sempre foi; e espero continuar com essa periodicidade. Dependerá do seu apoio, de amigos e colegas, porque está aberta à colaboração de todos.
*
ARTEFACTO is a monthly virtual magazine, as it always was; and I hope to continue this periodicity. It will depend on your support, from friends and colleagues, because it is open to everyone's collaboration.
 


 


 

Brazil Cartoon: Para finalizar essa entrevista, qual é o futuro do humor gráfico: caricatura, charge e cartum? Qual será o caminho para um artista viver de sua arte onde tudo é compartilhado nas redes sociais, gratuitamente, sem pagar direitos autorais? 
*
To conclude this interview, what is the future of graphic humor: caricature, cartoon and cartoon? What will be the way for an artist to live his art where everything is shared on social networks, free of charge, without paying copyright?

Omar: O Humor gráfico e humor político terão vida longa; e continuarão em publicações digitais; É verdade que afetará economicamente os artistas, mas temos que nos adaptar às novas plataformas e continuar publicando. Também, é possível que os artistas se unam para fazer publicações de qualidade, que possam ser vendidas pela Internet. O céu é o limite.
*
Graphic humor and political humor will have long life; and will continue in digital publications; It is true that it will affect artists economically, but we have to adapt to the new platforms and continue publishing. Also, it is possible for artists to come together to make quality publications that can be sold on the Internet. The sky is the limit.


 


 

Brazil Cartoon: O cartunista deve ter partido? Ou deve desenhar a notícia independente de ser esquerda ou direita?
*
Brazil Cartoon: The cartoonist must have left? Or should you draw the news independently of being left or right?

Omar: Os cartunistas devem ter uma posição política que lhes permita ter uma interpretação da realidade, mas não devem ser militantes de nenhuma das partes, porque precisamos da liberdade para questionar a direita ou a esquerda, quando necessário. Os políticos são uma casta que precisa ser alvo de cartunistas. Esse é o nosso trabalho.
*Cartoonists must have a political position that allows them to have an interpretation of reality, but they should not be militants of either party, because we need the freedom to question the right or the left when necessary. Politicians are a caste that needs to be targeted by cartoonists. This is our job.




Brazil Cartoon: Cartum x Charge política, qual é mais forte?
* Cartoon x  politics Cartoon, which one is stronger?

Omar: A charge e o cartum têm uma mensagem poderosa, cada um em cada campo, mas ambos carregam uma mensagem carregada de códigos para os leitores.
* The cartoon and the cartoon have a powerful message, each in each field, but both carry a message loaded with codes for the readers.






Brazilcartoon: O Brasil Cartoon, agradece a sua participação nesta entrevista e gostaria que você deixasse uma mensagem final.
*
Brasil Cartoon welcomes your participation in this interview and would like you to leave a final message.

Omar: Agradeço ao Brazil Cartoon pela entrevista e pelo espaço de divulgação do trabalho da revista ARTEFACTO que voltou a sua publicação para colegas e amigos curtirem a revista.
*
Thank you to Brazil Cartoon for the interview and for the space of dissemination of the work of ARTEFACTO magazine that has returned to its publication for colleagues and friends to enjoy the magazine.


Baixe a edição 69 * Download edition 69  aqui

Créditos / Credits:
Fotos*Photos
Acervo pessoal de Omar Zavellos
*Omar Zavellos's personal collection
Caricatura *Caricature: Julio Cesar Ibarra

 


 

24 mar. 2019
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Glauco Villas Boas




 

Glauco Villas Boas nasceu em Jandaia do Sul, interior do Paraná. Pertencia à família dos sertanistas Orlando, Claudio e Leonardo Vilas Boas. No começo dos anos 70, o encontro com o jornalista José Hamilton Ribeiro, que dirigia o "Diário da Manhã", em Ribeirão Preto, tirou o paranaense Glauco da fila do vestibular para Engenharia e o jogou direto para as páginas do jornal, já com uma tira: "Rei Magro e Dragolino". 

 


Glauco ganhou projeção nacional e internacional em 1977, quando ele expôs os trabalhos dele e ganhou prêmio no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. No ano seguinte, começou a publicar seus trabalhos no jornal Folha de São Paulo de maneira esporádica.

 

 

A partir de 1984, Glauco passou a publicar suas tiras regularmente no jornal. Entre seus personagens estão Geraldão, Cacique Jaraguá, Nojinsk, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Ficadinha, Netão e Edmar Bregman, entre outros.

 

 

Em 2006, ele lançou o livro “Política Zero” que reúne 64 charges políticas sobre o Governo Lula publicadas na página 2 do jornal Folha de São Paulo e redator dos programas: TV Colosso e TV Pirata, ambos exibidos pela TV Globo.

 

 

Los Tres Amigos -  Os personagens são, na verdade, caricaturas dos próprios autores. Los Três Amigos são: Angel VillaLaerton e Glauquito que estampavam as páginas das revistras em quadrinhos.

 

 

Em 1994, foi introduzido um quarto amigo, baseado no também cartunista Adão Iturrusgarai. Glauco, juntamento com seus amigos cartunistas os ''Los Tres Amigos'' lançaram edições da revista Chiclete com Banana pela Circo Editorial - editora de quadrinhos que durou de 1985 a 1995.




A editora Circo publicou também a as edições da revista Geraldão

 

 

O traço de Glauco é limpo e traduz com simplicidade a natureza complexa de seus personagens. Como Geraldão, o solteirão que morava com a mãe. Glauco era um Henfil ainda mais nervoso, veloz, certeiro. Como disse Angeli e Laerte, Glauco trouxe frescor ao humor gráfico, que andava meio sisudo na década de 80, onde nove entre dez cartunistas desenhavam generais. 

 

 

“Um cara muito simples e muito engraçado, muito divertido, muito gozador”, resumiu o cartunista
Paulo Caruso.

 



“Ele era capaz de num quadrinho sintetizar uma situação e bater na cabeça, tinha contundência de fazer a crítica”, afirmou o jornalista José Hamilton Ribeiro.

 

Nesses anos, as histórias se transformaram, sintonizadas com mudanças de comportamento, modas e manias, mas Glauco continuava fiel ao seu traço único e desenha com nanquim no papel. Usa o computador só para colorir as tiras, depois de escanear seus desenhos. ''Para meu tipo de desenho, só mesmo com a pena, que dá um traço peculiar" Glauco.


O cartunista é autor de uma família de tipos como Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge e Geraldinho. 
Para a estação UOL Humor, Glauco criou em maio de 2000 os personagens Ficadinha - publicada aos sábados - e Netão - publicado às terças e quintas. 

Personagens: 

Netão foi criado em maio de 2000 especialmente para o UOL. Este é o primeiro quadrinho criado por Glauco para a Internet. O nome do personagem tem origem na palavra Net. Segundo Glauco, Netão é o "Geraldão virtual". Com trinta e pouco anos e "internado" no apartamento em que vive com a mulher, Netão viaja pelo mundo através de seu velho computador, que funciona a manivela. O personagem tem compulsão por salas de bate-papo e, sem jamais tirar seu pijama, fica horas a fio em traições virtuais que balançam seu casamento.

 

Geraldão - O principal personagem do Glauco é um consumidor inveterado de uns 30 anos, solteiro que mora com a mãe - com quem tem uma relação neurótica- e continua virgem até hoje. Geraldão bebe, fuma muito, vive atacando a geladeira e toma todos os remédios que vê pela frente. No começo, ele usava uma calça sem elástico. Hoje, passa o dia todo peladão. Geraldão foi criado para o livro independente "Minorias do Glauco", lançado em 1981. Até hoje esta tirinha é publicada na Folha de S.Paulo.

 

Dona Marta - Ela foi educada à maneira antiga e, tanto esperou seu homem, que acabou ficando para titia. Quando viu que não arrumaria namorado, passou para o ataque. Aliás, Dona Marta canta qualquer um. Pode ser o chefe, o boy do escritório, o entregador de pizza ou o salva-vidas. Mesmo não tendo o corpo em forma, ela se acha a mais gostosa do planeta. Dona Marta foi criada em 1981 junto com o Geraldão para o livro independente "Minorias do Glauco". A personagem é baseada em uma amiga do Glauco que, até hoje, não sabe que virou desenho

 

O Casal Neuras - Criado em 1984, é formado por uma mulher que não é mais submissa e por um homem com pose de liberal, mas que morre de ciúmes dela. O Neurinha é um cara que fez a revolução sexual e hoje se depara com a postura liberal das mulheres. Já a Neurinha desafia a repressão machista e faz o que dá na telha. Esses personagens foram baseados no primeiro casamento do Glauco e na vergonha de manifestar o ciúmes. Esta foi a forma encontrada pelo cartunista para exorcizar o fantasma do machismo.

 

Zé do Apocalipse - Zé é o "profeta brasileiro", aquele que acredita que o Brasil é o berço de uma nova raça, a terra do novo milênio. Zé do Apocalipse acredita ser o porta-voz da nova era e prega suas idéias em qualquer praça pública. Este personagem foi inspirado em um amigo do Glauco que vivia em uma comunidade alternativa e seguia várias linhas espirituais

 

Este personagem é uma homenagem ao cineasta brasileiro Glauber Rocha e ao cinema novo. Mas Edmar Bregmam nunca terminou um filme. Seu único contato com o cinema foi ter feito os efeitos especiais de "Terra em Transe". E isso nada mais era do que buscar fumo pra moçada do set de filmagem. Seu lema é: uma câmera na cabeça e uma idéia na mão.

 

Doy Jorge é um verdadeiro junkie, um roqueiro malsucedido que se deixou levar pelas drogas pesadas. Para Glauco, este quadrinho é um registro da noite paulistana, inspirado em pessoas conhecidas e amigos. E, acima de tudo, é uma crítica ao consumo de cocaína, suas nóias e ressacas. Doy Jorge foi criado nos anos 80 para as revistas do "Geraldão" e só depois, por ser muito pesado, é que foi parar nas páginas de quadrinho da Folha de S.Paulo

 

 

Zé Malária - É um típico paulistano que nunca foi à floresta. É um antropólogo que estudou a mata, mas nunca foi a campo e, por isso, morre de medo de cobras, aranhas e de todos os bichos. Ele faz de tudo para não pegar malária. Seu instrumento de trabalho é um inseticida que devasta a floresta. Zé Malária é uma crítica às grandes metrópoles e mostra como crescemos desconectados da Natureza.

 

 

Geraldinho - É o Geraldão quando era criança. Só que, em vez de bebida, cigarro e remédios, ele é viciado em refrigerante, televisão e sorvete... muito sorevete... de todos os sabores... de todas as formas... Ele é muito sacana e, ao lado do cachorro Cachorrão e do gato Tufinho, seus inseparáveis amigos, dá muito trabalho para sua mãe. Além disso, o Tufinho anda com uma turma barra pesada. São os Folgatos, que adoram atacar a geladeira da casa do Geraldinho. Na escola, o menino é impossível e só senta na turma do fundão. Geraldinho foi criado especialmente para a "Folhinha", o suplemento infantil da Folha de S.Paulo.

 

Ficadinha - É uma típica adolescente dos dias de hoje. Esta tirinha foi criada em maio de 2000 para fazer parte do canal Sexo Explícito, de UOL Teen Sexo. A personagem tem uns 17 anos e foi inspirada nas "ficadas", esses relacionamentos casuais e sem compromisso tão comuns atualmente. Ficadinha mora com os pais, que se acham liberais, e anda com os Dongos. Entre seus "ficantes" estão Bode Pit, Xulé, Ranho e Escova.

 


Ozetês - Eles vieram do espaço, ninguém descobriu ainda de qual planeta, se comunicam por telepatia, adoram meditar e materializar coisas com a força do pensamento, usam cogumelos de urano para meditar e viajar pelo espaço, vários artistas famosos já meditaram com os ozetês, jimi hendrix é um que não sai do pé deles, meditam durante a semana e na sexta caem na gandaia abduzindo as gatas da noite paulistana, nas férias eles invadem as nossas praias tomando e queimando todas com a sua prancha-voadora, depois deles zoarem bem o nosso pedaço eles gostam de ir azarar as mulheres de saturno, mas sempre retornam ao brasil, no verão de preferência.

 


Faquinha - Ele é um menor abandonado que nunca conheceu pai nem mãe. Criado pelo facão, perigoso traficante do jardim perifa, virou avião do tráfico e vive sendo perseguido tanto pela polícia quanto por grupos de extermínio, eles adoram dar uma matadinha no faquinha que insiste em não morrer, faquinha formou sua gang, o comando bananinha, e invadiu um morrinho abandonado no jardim perifa, passou a traficar bosta de vaca pros mauricinhos que vão até a favela comprar fumo, a bosta de vaca fez sucesso e a cabeça da galera, tornando nosso mini-meliante famoso.

 


Nojinsk - Ele vive no deserto pra lá de bagdá, com seu tapete mágico e sua gang sempre fugindo dos americanos e de grupos extremistas que vivem confundindo nosso nojinsk com perigosos terroristas. Mas, nosso herói não passa de um pequeno trambiqueiro comerciante de camelos, odaliscas, haxixe e tapetes-voadores. Nojisnk também ostenta a maior barba do deserto do saara.

 

 

Morte
O cartunista Glauco Villas Boas, foi assassinado em  2010, aos 53 anos,  junto com seu filho, Raoni Villas Boas, de 25 anos, em sua própria casa, em Osasco, na Grande São Paulo. Eles morreram na madrugada do dia 12 de março e foram sepultados no Cemitério Parque Gethsêmani Anhanguera, em Osasco, Grande São Paulo. Glauco morreu, mas sua obra continua atual e imortal. 
 

 

EXPOSIÇÃO OCUPAÇÃO GLAUCO



Em 2016, Glauco, ganhou uma belíssima exposição na 30ª edição da “Ocupação Itaú Cultural”.  
O São Paulo para Curiosos preparou uma lista de curiosidades sobre o backstage da exposição e sobre o próprio desenhista:

O processo de curadoria da exposição durou 9 meses. A maior parte do acervo pertence a Beatriz Veniss, viúva do cartunista. Também foram utilizados alguns trabalhos dos acervos d0s cartunistas Toninho Mendes, Emílio Damiani, Angeli, Laerte e do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região​.

 

 

No processo de montagem, quinze pessoas trabalharam na produção interna: cinco marceneiros, uma cenógrafa, duas pessoas responsáveis pelo piso tátil e sete comunicadores (entre designers e produtores editoriais). A montagem do espaço de 120 metros quadrados levou duas semanas. A exposição foi aberta ao público em 9 de julho de 2016.

 

Numa mesa interativa, luzes se acendem colocando em destaque os principais personagens de Glauco. Os visitantes são convidados a desenhar por cima dos traços do artista. Ele teve o primeiro contato com o desenho por influência da mãe, Maria Aparecida Villas Boas, que também pintava e sapateava. Glauco costumava fazer desenhos, piadinhas e rimas até em folhas de papel higiênico.

 

Um dos 160 originais vistos na “Ocupação” é do primeiro dia de trabalho de Glauco com José Hamilton Ribeiro, no Diário da Manhã, em 1977. Ribeiro propôs que, em vez de usar três quadrinhos para contar uma história, Glauco fizesse tudo em um só – ideia que daria origem à charge do dia. O cartunista precisou entregar a charge às 22 horas daquele mesmo dia. Na manhã seguinte, seu primeiro desenho profissional apareceu na imprensa.

 

 

Glauco costumava desenhar Geraldão excitado, com a parte de baixo do corpo sempre à mostra. Os editores não aprovavam a ideia e pediam sempre que ele colocasse uma tarja que escondesse os órgãos genitais do personagem. Ele resistia e passava a responsabilidade para algum outro ilustrador. De tanto que isso aconteceu, os editores se renderam e Glauco foi autorizado a publicar Geraldão sem a tarja.

 

TROFÉU HQ MIX 2011

Glauco foi homenageado em 2011 na 23 edição do troféu HQMIX, o Oscar dos quadrinhos brasileiros.
O artista plástico Olintho Tahara criou uma escultura do Geraldão como troféu da edição.

 

 

 

ENTREVISTA

Leia a seguir trechos da entrevista que Glauco deu para o UOL, em 2001, em que falou sobre o inicio da vida de cartunista, misticismo, o personagem Netão e sobre o seu modo de desenhar:

 

 

"Comecei a desenhar no segundo grau. Sempre desenhei na turma do fundão, que eu fui freqüentador assíduo. Desenvolvi essa linguagem e vi que era uma ferramenta muito poderosa: o humor aliado com caricatura. Desde você fazer caricatura dos professores, de algum colega de classe...Também tive contato com o pessoal do Pasquim. Conheci o Henfil, todos aqueles desenhistas, o Ziraldo. Aquilo foi me inspirando.

Quando me mudei para Ribeirão Preto, para prestar vestibular para Engenharia - por incrível que pareça, eu ia prestar vestibular para Engenharia. Não tem nada a ver comigo. Eu levei a sorte de na época o Hamilton Ribeiro, que é um grande jornalista, estar dirigindo o "Diário da Manhã", um jornal de Ribeirão Preto. Ele viu meu trabalho, gostou muito, e me contratou para fazer uma tira diária. Assim começou minha profissão.

Essa primeira tira era o Rei Magro e o Dragolino. Era um rei muito louco, que vivia fumando um baseado, e o Dragolino enfrentando ele. Era essa dupla, num universo de hippie, de rock.

Na época estava no auge do Salão de Humor de Piracicaba, em 1976. Fui premiado e isso me abriu as portas para a grande imprensa, principalmente para a Folha de S. Paulo. Em 1977 comecei a publicar esporadicamente na Folha. No Acontece. Também estava surgindo o Folhetim, que o Tarso de Castro dirigia, e o Angeli era responsável por uma seção de humor na contracapa, que chamava Viralata. Aí eu comecei a publicar toda semana nessa seção. Foi esse o começo na Folha.

 

 

Em 84, a Folha criou a seção de quadrinhos para desenhista nacional e, com aquela lei de 50% do espaço para o pessoal da casa, a gente começou a desenvolver pela primeira vez a tira nacional diária, para competir com a americana."

 

 

"Eu desenho a nanquim com papel, depois eu escaneio e quando é para aplicar cor eu uso o computador. Tentei usar o computador para desenhar, mas meu desenho sai como se fosse uma criança. Não tenho o domínio ainda. Mesmo aquela canetinha que tem uma tela. Para meu tipo de traço, estou acostumado com a pena, que dá um traço todo peculiar."

 

 

"O Angeli sempre tirou muito sarro de mim porque eu sou muito místico. Sou pisciano. Sempre gostei da linha espiritual, de estudar. Depois que eu comecei a freqüentar o Santo Daime -que é uma bebida que vem lá da Amazônia, que os índios consagram-, eles (Angeli e Laerte) tiraram muito sarro dessa minha nova jornada. Chegaram a fazer história sobre o Glauquito, que montou uma religião, encontrou suas raízes, montou uma seita e fez um chá com as suas raízes.




 

O Rhalah Rikota eu não tinha antenado que o Angeli tinha feito especialmente para tirar um sarro mas, com essa confissão dele eu me sinto muito honrado.

 

 

Eu sou daimista. Criamos um grupo de estudo e passamos a receber o Daime lá da floresta. É um centro de pesquisa espiritual. O Daime tem um potencial de cura muito grande.

 

 

Eu coordeno o ritual, que é bastante musical. São vários hinos, recebidos pelos caboclos lá da mata, que a gente executa depois de ter ingerido o Daime. A gente faz um trabalho musical e dentro desse trabalho musical as pessoas vão estudando, dentro da força do Daime, porque ele é um expansor de consciência.

 




O Daime me trouxe muita disciplina, principalmente com meu trabalho de cartunista, do traço. Também relacionado à saúde, porque eu era muito exagerado, boêmio, e isso atrapalhava o meu dia a dia. O traço é uma coisa que você precisa estar harmonizado com você mesmo. Nesse sentido, senti uma evolução muito grande, no meu trabalho e em todos os aspectos da minha vida."

 

Fontes:
Mara Gama 
Uol site
São Paulo para Curiosos site
Simão Pessoa site
Itaú Cultural site
Fotos: 
Werther Santana/AE
Gabrielli Menezes
Google

 

24 mar. 2019
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